O SIGNIFICADO DE CRISTO


Capítulo 7 - O Significado de Seu Batismo

Leitura: Lucas 3:21-22; 4:1-12.

Neste trecho de Lucas que lemos, contém todos os princípios e elementos que estamos analisando nessa série de meditações - que é: o significado de Cristo. Aqui temos o significado de Cristo se apresentando à Deus como um homem, uma humanidade que, sendo de acordo com a mente de Deus, devolve o céu aberto que foi perdido pelo primeiro homem; restaura a face de Deus que se afastou de Adão e sua raça por causa do tipo de homem que ele se tornou através da desobediência. Isso, em uma ou duas frases, é o significado de Cristo.

Agora, como leitores da Bíblia sabem, peculiarmente Lucas é o evangelho que apresenta Cristo como o Filho do Homem. Esse evangelho é um registro da vida, obra e palavras do Filho do Homem, pronunciadas sem nenhuma interpretação espiritual - somente o registro. É o único evangelho que tem um prefácio. Lucas diz que ele se esforçou para certificar a verdade de todas as coisas que ele estava prestes a escrever. A interpretação espiritual vem depois. Depende de duas coisas: em primeiro lugar, a vinda do Espírito Santo como o intérprete, em segundo lugar, pessoas habitadas pelo Espírito para as quais Ele possa interpretar. Então, neste registro, nós não temos interpretação espiritual, mas com a vantagem de termos agora o Espírito e a interpretação após o Novo Testamento, nós somos capazes de ver princípios espirituais que estão aqui.

O SIGNIFICADO DO BATISMO

Eu preciso sintetizar em um pequeno espaço, então vamos ao batismo de Cristo, e reiterar o que provavelmente é bem conhecido da maioria. Para o nosso propósito é necessário, primeiramente, que nos recordemos do significado do batismo em si. Batismo não é uma ordenança peculiarmente ou exclusivamente cristã. Havia batismo judeu pela água, e quando João veio batizando, ele não estava fazendo algo estranho no que diz respeito à Israel. Eles estavam familiarizados com isso como uma forma de ordenança de “nacionalização”, quando um gentio queria abraçar a fé judaica, assim como os cristãos são batizados. No mundo pagão, o batismo também era conhecido - não de água mas de fogo. O significado básico é o mesmo para o mundo dos judeus, cristãos ou pagãos, mas para o cristão é tão mais profundo e tão mais significativo. Para os judeus, batismo significa simplesmente que o homem morreu para as conexões raciais antigas como um gentio, e ressurge para se tornar efetivamente um judeu, um membro de outra raça. Para o pagão, o batismo pelo fogo ou “fazer os filhos passar pelo fogo” - você se lembra aquela frase no Antigo Testamento - é simplesmente uma passagem para morte, com a destruição de uma conexão antiga, um sistema antigo, e uma iniciação em algo totalmente novo. No batismo cristão, as mesmas ideias estão presentes, mas com um extra: esse batismo fala da total depravação do homem. Pagãos não admitiriam isso, e os judeus não admitiriam isso. Mas o batismo cristão testifica a total depravação do homem, sua desesperança perante Deus; ele fala que o homem é completamente rejeitado por Deus, inaceitável, e que se alguma esperança há, ele deve morrer e nascer de novo. Deve ser uma morte e um enterro, significando o completo fim daquele homem, para tudo que ele é nele mesmo e para tudo que ele está conectado, pela natureza de Adão. A depravação do homem não pede reparos, mas morte e enterro.

Isto dá um significado maravilhoso e tremendo ao batismo de Jesus.

Ele, que não conhecia pecado, em quem não havia sementes de depravação; Ele que era o Filho de Deus, que sustentava o título, por Seus próprios direitos, de ser igual à Deus, e era igual à Deus; Ele que estava com o Pai na glória, como Ele orou: “glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que tive junto de ti, antes que houvesse mundo.” (João 17:5); ELE veio e se identificou como homem, em sua completa depravação e rejeição de Deus. Quando Ele veio ao Jordão ser batizado, é a coisa mais linda o que aconteceu - que Ele, sendo quem era, deveria tomar lugar, na morte, do homem banido por Deus, enterrado longe de Sua visão, afastado por ser totalmente inaceitável aos olhos de Deus, Ele mesmo se identificando como homem pecador.

Não é de se admirar que João batista, aquele que batizava, argumentou quando Ele chegou para ser batizado. João proibiria Ele. “Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?” (Mt 3:14). João não consegui entender isso - porque Deus havia falado com João, Deus havia confidenciado à João de que o Messias estava próximo. João sabia que ele era o precursor, que ele mesmo estava cumprindo as profecias relacionadas à ele ser o que abriria a porta para o Cristo, e à ele foi confidenciado que este era Ele; e ele recuou perplexo que Este desejaria tomar esse lugar. “Raça de víboras”, João dizia - “raça de víboras, fugindo do fogo do juízo, tentando entrar na água para escapar!” Assim é como João viu aqueles que se achegavam para serem batizados. E então pareceu Jesus nesse terreno. Quão maravilhosa é a condescendência do nosso Senhor Jesus! Quão baixo Ele foi para nossa salvação! Quão completamente Ele tocou as profundezas pelos nossos pecados e pecaminosidades! Poderia Ele fazer mais?

O SIGNIFICADO DO BATISMO

E então, depois temos a grande declaração de João: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1:29). Isso é a confirmação do seu entendimento do significado de Cristo: ele viu que este Homem não estava morrendo pelo Seu próprio pecado; Ele não estava sendo batizado porque Ele mesmo era um pecador. Ele estava fazendo isso pelo pecado do mundo. Isso era um ensaio da cruz que viria depois, e ela certamente fala conosco - pode algo falar com maior força do que essa? - de um dos maiores atributos do Homem de Deus, Homem dos céus, o Homem que abre os céus, o Homem que tem a face de Deus - essa maravilhosa característica de Sua humildade. Sim, Ele tomou a forma de homem, foi “reconhecido em figura humana” (Fp 2:7-8) - um verdadeiro homem; Dele era a verdadeira humanidade.

CRISTO IDENTIFICADO NO CÉU MAS NÃO RECONHECIDO NA TERRA

Parece haver um paradoxo aqui, quase uma contradição, mas aqui está. Não há nada exteriormente que possa indicar que Jesus era diferente de qualquer outro homem. João diz: "Eu não o conhecia" (Jo 1:31,33). Isso é estranho, não é? Ele deve ter ouvido falar de Jesus. Suas mães eram parentes, e haviam tido um agradável tempo juntas há alguns meses antes do nascimento de João, na ocasião da anunciação à Maria; e por trinta anos João tinha apenas conhecimento sobre Jesus. Mas ele não o conhecia, ele não o conhecia pessoalmente. Ele diz: “Eu não o conhecia; aquele, porém, que me enviou a batizar com água me disse: Aquele sobre quem vires descer e pousar o Espírito, esse é o que batiza com o Espírito Santo. Pois eu, de fato, vi e tenho testificado que ele é o Filho de Deus” (Jo 1:33-34). Ele foi identificado pelo céu, mas não reconhecido na terra. Ele era como qualquer outro homem exteriormente - verdadeiro homem; mas ainda tão diferente interiormente - que humanidade diferente havia ali! “Eu não o conhecia.”

O SENHOR JESUS UM HOMEM DE MUITA ORAÇÃO

“Ao ser todo o povo batizado, também o foi Jesus; e, estando ele a orar” (Lc 3:21). Eu me alegro por Lucas ter inserido isso - “estando ele a orar”. O que é oração? Oração, tem muitos aspectos, mas creio que um que se destaca mais e governa todas as orações é a súplica. É o ato e a atitude de um suplicante pedindo. Aqui Ele se tornou tão verdadeiramente um conosco na nossa humanidade que tomou nosso lugar de suplicantes - isto é dependência total de Deus. Pessoas que são mais conscientes de suas necessidades, e mais dependentes, são aquelas que mais oram. Pessoas que são mais autossuficientes são aquelas que menos oram. O Senhor Jesus era um homem de muita oração, e Ele começa aqui na Sua vida pública - “estando ele a orar”.

Veja os atributos de um homem de acordo com a mente de Deus. E se NÓS somos realmente nascidos do alto, se nós de fato temos compreendido o significado de passar de um estado para o outro, se estamos verdadeiramente em Cristo, estes serão os atributos que nos caracterizam. Nós podemos medir nossa vida em Cristo pela nossa humildade, pela nossa mansidão, pela nossa prontidão e disposição de nos abaixarmos e não ter reputação, pela nossa vida de oração, expressando nossa dependência. Este é o homem manifestado, não só individualmente, mas corporativamente - pelos grupos representando toda a Igreja, sobre a qual falávamos antes nessa série. Se eles têm qualquer medida de Cristo, eles serão pessoas muito humildes, nada presunçosas. Eles serão, conscientemente, muito dependentes do Senhor, e, portanto, pessoas de muita oração.

CÉUS ABERTOS PARA CRISTO DEPOIS DE SEU BATISMO

Nós vimos o batismo de Jesus e sua relevância, dando à Ele significado como Filho do Homem. Então vem o céu aberto. O céu foi aberto, nos mostrando o tipo de homem que herda o céu aberto, a face de Deus, o reconhecimento e o conhecimento de Deus. É este tipo de homem - o homem que morreu, o homem que foi enterrado, o homem que ressuscitou para o outro lado. Este é o homem do céu aberto.

E então havia o Espírito em forma de pomba, vindo e repousando Nele. O Espírito Santo não nos é dado primeiramente como poder para fazer algo em nós. Ah, como clamamos por poder, e, portanto, almejamos o batismo do Espírito Santo para que possamos ter esse poder - para que possamos ser um sucesso, nossa obra possa ser um sucesso. O Espírito Santo na verdade nos foi dado porque jamais conseguiremos progredir sem Ele. Na nossa união com o Homem que entrou na morte, declarando a condição sem esperança do homem, nós estamos, assim como Ele estava, totalmente dependentes de um poder que não está em nós mesmos e não é de nós mesmos. Este é o significado do dom, ou do batismo, do Espírito Santo.

UMA NOVA POSIÇÃO TESTADA

Se isso quer testar, o próximo passo prova. Antes que se possa dizer “Então, Jesus, no poder do Espírito, regressou”, e começou efetivamente a pregar, é necessário que no Espírito Ele fosse para o deserto para ter toda Sua nova posição testada.

Eu espero que os cristãos reconheçam o significado desse interlúdio do deserto. “Receba o Espírito Santo e vá em frente - comece hoje!”? Ah não! Receba o Espírito Santo, então tenha toda a base de sua vida em Deus colocada a prova e testada, e ENTÃO vá e se envolva com a obra - mas não antes disso. Funciona assim no princípio, mesmo que não pareça ser dessa forma. O Senhor guarda a Sua lei. O batismo do Espírito era para ser a base da nova vida Dele - era para ser a total dependência de Deus. Não estou me desviando das Escrituras sobre esse assunto, pois Ele dependeu do Espírito Santo para tudo a partir desse momento adiante. “Se, porém, eu expulso demônios pelo Espírito de Deus...” (Mt 12:28). Tudo era pelo Espírito. Não vamos ficar para provar isso.

Então esse próximo passo - a tentação no deserto - basicamente foi um teste para a posição tomada por Ele e o que essa posição implicava. Nós nunca podemos tomar uma posição com Deus e não ser severamente testado para essa posição que tomamos. Ele tomou uma posição, Ele veio para ocupar um certo nível, e agora Ele será testado para essa nova posição.

UM ATAQUE CONTRA A FÉ

Em primeiro lugar, foi o nível de relacionamento com Deus que foi declarado em Seu batismo, na Sua simbólica ressurreição. “Tu és o meu Filho amado” (Mc 1:11). Isso é uma declaração de relacionamento com Deus. E então: “Se és o Filho de Deus...”. Veja a questão projetada em relação ao nível do relacionamento Dele com Deus, a sutileza desse “se” - “Se és o Filho”. A sutileza disso foi desse tipo: “Faça algo sobre isso - prove isso fazendo algo!”. Veja a sutileza. Supondo que seu melhor amigo lhe diga algo com segurança, e então alguém diz: “Bem, é melhor você provar isso fazendo algo!” Onde está o seu amigo? Qual é a sua relação com o seu amigo? Você não confiou totalmente nele, você não aceitou verdadeiramente a palavra dele, se está fazendo algo para testar isso de alguma forma. Então a sutileza da serpente no “se” foi: “Faça algo a respeito disso, prove - coloque a prova e faça algo!” Fazer algo é colocar em dúvida.

Mas o homem do céu aberto manteve sua posição: “Deus falou, e isso basta. Não é necessária nenhuma prova; Deus falou.” “Está escrito...” Este é o homem que tem o céu aberto: o homem que, mesmo quando as circunstâncias e as condições são muito difíceis e adversas (pois a Palavra de Deus permanece em relação à tribulação, à aflição, à adversidade) - O homem que permanece firme na declaração: “Deus disse que não vou perecer; Deus disse que não vou morrer; Deus disse, e Deus é fiel.” Isso não é fácil. Não pense que isso foi uma encenação. Isso foi uma terrível provação que o Filho do Homem passou. Era o próprio diabo em pessoa. A mera aproximação do espírito do diabo já era mal o bastante - o bastante para levar o espírito para baixo, fazer você se sentir terrível; mas ter o próprio diabo, em pessoa, fazendo ataques diretos à você, sob as condições mais difíceis de exaustão física e mental - o que nós sabemos sobre isso? Foi muito real. Mas, na realidade, esse Filho do Homem, pelo bem de toda uma raça que ainda viria - Sua semente - Ele tomou essa posição: “Deus disse - isso basta!” É contra a essência da fé que o ataque é feito; sobre a fé que é a base para tudo que se segue.

A BASE DA TENTAÇÃO

Portanto, descobrimos que Sua missão está imediatamente à vista. “Indo para Nazaré, onde fora criado, entrou, num sábado, na sinagoga” (Lucas 4:16), e o livro foi entregue à Ele, e Ele abriu em Isaías 61, e começou a ler: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar...”. E depois os assuntos da Sua pregação, a mensagem, Sua obra, Sua missão, Sua proclamação, Sua declaração, aqui tudo está à vista, a Satanás estava empenhado a destruir aquele ministério, aquela missão, destruir aquela declaração, aquela proclamação, e silenciar Ele.

Agora, se você olhar no primeiro capítulo do evangelho de Lucas, você verá uma parábola maravilhosa e um exemplo disso. Lá você tem a história do anúncio do nascimento de João batista para seu pai. Zacarias, sacerdote, um homem com uma alta posição de influência, representante da nação, da nação sacerdotal; toda a nação é personificada em Zacarias. O anjo Gabriel veio e falou do nascimento de João batista, o que era impossível naturalmente. Nós não vamos nos apegar aos detalhes, mas o resultado foi Zacarias questionar Gabriel: ‘Como pode ser isso? Eu sou velho, minha mulher é velha - como pode ser isso? Era uma dúvida. Agora veja a força da resposta de Gabriel: “Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus”. 'Você sabe com quem você está falando, questionando? Você está desafiando a própria autoridade dos céus, a capacidade dos céus de fazer conforme a própria vontade’. Isso foi um ato de incredulidade na face dos céus e do seu maior mensageiro. “Eu sou Gabriel”: uma severa repreensão. ‘Então agora Zacarias, assim será, mas isto lhe será um sinal - por um tempo você ficará mudo, não poderá falar; seu ministério ficará suspenso por incredulidade.’ E ele era um modelo para toda nação. Israel perdeu seu ministério e sua mensagem para o mundo por toda essa dispensação. Israel está muda como mensageira de Deus para as nações ao longo de toda essa dispensação. Não tem nada a dizer de Deus ao mundo. Por quê? Por causa da sua incredulidade.

Agora Satanás estava trabalhando nessa linha, nesse princípio, com o Filho do Homem. Se ao menos ele conseguisse fazer com que Ele cogitasse uma dúvida sobre Sua filiação, sobre a declaração expressa do Pai - “Tu és o meu Filho amado”; se ele conseguisse levar Ele à duvidar, fazendo algo para tentar e provar isso; então ele O teria silenciado, O desviado de Seu ministério. Você sabe muito bem que se você tem alguma dúvida no seu coração, não há plena fé em Deus no seu coração, você não tem poder no ministério, independente do que você disser. Se Satanás conseguir levantar incredulidade, qualquer dúvida em relação à Deus, seu ministério está prejudicado. Satanás está atrás deste grande ministério - “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar.” Essa é a base da tentação.

O FORMATO DA TENTAÇÃO

O formato da tentação possui três partes. Não importa onde você leia, a ordem do relato de Lucas ou de Mateus. Eu prefiro tomar a ordem de Mateus. Farei dessa forma simplesmente pois acredito ser a ordem espiritual. Não há nenhum descrédito em relação ao relato de Lucas. Ele tinha seu próprio jeito de escrever para seu próprio propósito. Ele estava apenas registrando fatos enquanto os coletava.

(1) Um ataque ao Seu corpo

Em primeiro lugar, o ataque foi feito ao Seu corpo, e a questão que se levanta no princípio - não vou ficar muito tempo nisso, só vou mencionar e seguir - a questão que se levanta no princípio era: Este Homem estava preparado para apresentar Seu corpo “por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus”? Ele estava preparado para Seu corpo estar completamente à disposição de Deus, e não para Seu próprio interesse, benefício, conveniência? É por isso que Paulo diz, “Rogo-vos, pois, irmãos, que apresenteis o vosso corpo...” (Rm 12:1). O diabo tem grande interesse em cativar nossos corpos. Eles são o meio de expressarmos o que temos internamente. Se ele conseguir capturar o meio, ele conseguiu muito. Você sabe tudo que vem depois, pela interpretação do Espírito Santo. “Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Co 3:16). “Apresenteis o vosso corpo”. Foi um ataque ao Seu corpo, para Ele deixar entrar a incredulidade e a dúvida e o medo por causa das consequências físicas do caminho que Ele estava tomando. Esse caminho carrega muito consigo.

(2) Um ataque à Sua alma

Em seguida, na ordem de Mateus, foi um ataque à Sua alma. O diabo levou Ele para o pináculo do templo e diz: “Atira-te abaixo”; e, tentando fortalecer e reforçar sua tentação, ele até entra no território de Cristo - “Está escrito”. Cristo havia dito isso; Satanás está tentando capturar a situação usando os meios do inimigo, o território do inimigo. “Atira-te abaixo”. O que é isso? Bem - ‘Faça algo para realizar a sua ambição de uma forma rápida. Você veio para ter seguidores, você veio para ganhar homens, você veio para uma missão; então agora, assegure o sucesso da sua missão, consiga esses seguidores, fazendo algo extraordinário, algo milagroso! Nada acontecerá com você: você descerá do pináculo em segurança, enquanto qualquer outra pessoa iria acabar em pedaços!’ ‘Aqui está um caminho rápido para o sucesso. Concretize seu anseio de uma forma conveniente, de uma forma diplomática.’

Ah, a maldição da diplomacia no mundo! “É político? Terá sucesso? Esse atalho vai atingir o resultado mais rápido?” Essa é a alma do homem caído, a alma do velho Adão. Todos nós somos assim. Não é algo subjetivo. É verdade para todos nós em Adão. Não gostamos do longo caminho de esperar pacientemente pela vindicação de Deus, enquanto tudo está contra nós, a estrada parece não ter volta. Confia em Deus? Ah, vamos fazer algo para acelerar! É dito sobre Philip Brooks de Boston que ele estava em seu estúdio um dia, andando de um lado para o outro, muito sério e confuso. Um amigo chegou e perguntou, ‘Qual é o problema?’ ‘Oh’, disse Brooks, ‘Eu estou com pressa e Deus não!’ Faça algo para Deus acompanhar o seu ritmo! - essa é a alma, e realmente é o trabalho da cruz operando nela para recusar toda e qualquer coisa semelhante a isso.

(3) Um ataque ao Seu espírito

E então o ataque ao Seu espírito: “Se quiser...me adore”. “Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.” (Jo 4:24). Quando nos achegamos para adorar, aquilo que provém do nosso espírito é espiritual. Então, através do corpo e da alma, o inimigo estava tentando atingir o homem espiritual em seu relacionamento com Deus no espírito, porque é pelo espírito que somos unidos com Deus. “mas aquele que se une ao Senhor é um espírito com ele”. (1 Co 6:17). O pensamento de Satanás é ‘Ah, intervir ali!’ Essa é a forma da tentação.

A VITÓRIA

Uma breve palavra referente à vitória. A vitória do Filho do Homem tem três aspectos: sobre a carne, sobre o mundo, sobre o diabo - uma vitória tripla pela fé, fé fundamentada, fé imperturbável mesmo sob as mais difíceis e adversas condições. Este é o homem que tem os céus abertos; este é o homem que tem a face de Deus. Este é o Espírito de Filiação. Esse é o propósito para humanidade que Deus colocou Seu coração; esse é o tipo que Jesus Cristo veio gerar através das aflições de Sua alma.

O QUE O NOSSO BATISMO SIGNIFICA

Finalmente, a aplicação. Foi pelo Seu batismo que Ele realizou tudo, onde Ele recebeu base, a sustentou e a assegurou até o fim perante Deus. Foi através de Seu batismo que Ele foi testificado, reconhecido e estabelecido como Filho, como o homem representante de Deus, como “o primogênito entre muitos irmãos”. Mas então, abrimos no Novo Testamento, mais tarde, e no dia de Pentecostes vemos o apóstolo clamando, “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado” (At 2:38). Não vou fazer uma exposição sobre o tema do batismo, mas gostaria de colocar isso, que o nosso batismo é a nossa maneira de declarar que estamos fundamentados neste Homem. Nós morremos para um homem, uma humanidade; nós paramos, voluntariamente, de viver naquela relação. Uma separação tomou lugar em nosso ser interior, houve uma circuncisão interior do coração, e nós morremos para tudo isso por meio de uma sepultura; e agora nós ocupamos, em Cristo ressuscitado, a base de outra condição, outro homem, outro tipo; estamos vivos em Deus.

É isso que significa quando somos batizados. Nós falamos, antes, que o batismo como uma ordenança não afeta nada: mas é o meio dado no Novo Testamento para declarar um fato que existe, e o ponto tocante disso é que todo homem e mulher de Adão foram batizados, todos os pecadores no mundo hoje foram batizados. Eu não digo isso me referindo a ideia de que eles entraram em piscinas para batismo ou foram aspergidos. O que eu quero dizer, no batismo - a morte - de Cristo, o mundo inteiro foi tomado e oferecido a chance de uma nova relação, isso foi providenciado à eles, realizado para eles, feito em benefício deles; e se todo homem e mulher de toda criação está perdido, não será porque eles não estão redimidos, mas é porque eles não aceitaram sua redenção, eles não tomaram o lugar que Cristo assegurou para eles. Nosso convite, nosso chamamento, nossa súplica, nosso rogo, é que os homens entrem naquilo que Deus fez para eles em Cristo. Eles estão lá, mas eles devem declarar que estão lá antes que seja bom para eles. Nosso batismo é o testemunho do fato que nós estamos nesse terreno do novo homem, e que, consequentemente, o céu está aberto para nós, a face de Deus está voltada para nós em Cristo - uma nova criação, “agradáveis a si no Amado” (Ef 1:6 - ARC), na esfera deste Homem divino.

Esse é o significado de Cristo. Ah, se você seguiu esse caminho, se você deu esse testemunho, mantenha o significado sempre à vista. Muitas vezes encontro cristãos que, em algum momento, prestaram esse testemunho: alguém explicou à eles, eles aceitaram e creram, e foram batizados; mas, oh, como eles estão vivendo para o velho homem, como são influenciados e motivados pelos interesses do velho homem, como a alma deles ainda é dominada pelas ambições mundanas! Muitas vezes sinto vontade de perguntar: você foi batizado? O que você quis dizer? Você realmente compreendeu sua morte na morte de Cristo? Você já entendeu o significado do outro lado - que você está vivo para Deus, e somente vivo para Deus, e você não tem outra vida senão para Deus? Você já? Se não, não estou surpreso que você não esteja desfrutando o céu aberto, a face de Deus, a presença gloriosa e o poder do Espírito Santo, vitória sobre Satanás, sobre o mundo, sobre a vida própria. Você precisa sempre manter essa realidade viva diante de você.

Que o próprio Senhor ponha Seu selo nesta palavra, fazendo-nos homens e mulheres segundo esse tipo, de acordo com Cristo.